Agroleite evidencia busca do produtor por animais superiores

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Para elevar a produção de leite de seus rebanhos, os pecuaristas estão de olho nas tecnologias que vêm sendo lançadas pelas empresas do setor. Foi o que se viu na capital nacional do leite, a cidade de Castro/PR, que sediou neste mês de agosto mais uma edição do Agroleite, cujo público foi de 73 mil visitantes. “Não adianta o produtor ter a melhor estrutura na fazenda, com excelentes equipamentos, se não tiver um rebanho de grande potencial genético. E este é um investimento muito barato. A inseminação artificial não representa nem 2% dos custos da fazenda, mas os ganhos que proporciona são enormes, como o aumento da produção de leite e a geração de novas bezerras para a fazenda”, esclarece Nelson Eduardo Ziehlsdorff, diretor-presidente do Grupo Semex, empresa do setor de genética que aproveitou o Agroleite 2018 para lançar novos produtos e touros leiteiros.

Na visão do executivo, o momento é muito favorável para o mercado de genética e a expectativa é de que as vendas de doses de sêmen cresçam em 2018. Para atender à grande demanda da região Sul pela genética de ponta das raças leiteiras, o Grupo Semex instalou, há um ano, um laboratório de Fertilização In Vitro, que funciona o ano todo na Cidade do Leite, em Castro. “Durante o Agroleite, tivemos uma intensa visitação de produtores interessados em conhecer o laboratório e as soluções tecnológicas que oferecemos”, informa.

Um reflexo dos investimentos dos pecuaristas em genética de ponta pode ser visto nas competições do Agroleite, nas quais a busca pela vaca ideal empolgou os visitantes. Segundo o médico-veterinário e jurado da Associação Brasileira de Gado Holandês, Flávio Junqueira, o perfil da vaca leiteira ideal combina alta produção, boa saúde e uma conformação adequada. “Durante a exposição, o jurado avalia a parte de conformação da vaca, tendo como base o modelo de animal ideal de cada raça. É um momento muito educativo para o produtor, pois, especialmente em eventos muito concorridos como o Agroleite, ele acaba aprendendo mais sobre o padrão ideal da raça e as tendências do mercado em relação às características mais valorizadas. Em geral, a pecuária leiteira prima por uma vaca capaz de produzir muito leite, que tenha boa estrutura física para suportar essas altas produções, seja longeva, reproduza com facilidade e não precise de muito medicamento, isto é, que seja saudável”, explica Junqueira, que é gerente do programa Semex Progressive.

Segundo ele, as raças leiteiras evoluíram significativamente nos últimos anos, especialmente com o uso da genômica, permitindo que sejam identificados os melhores animais logo após o nascimento. “Com esse avanço nos últimos anos, o pecuarista está conseguindo ter em seu rebanho vacas mais produtivas e com muito menos trabalho para produzir”, assegura.

Quem investiu em touros de qualidade, teve sucesso na pista do Agroleite. Várias fêmeas vencedoras, como a Campeã Vaca Jovem, a Reservada Vaca Jovem, a Reservada de Grande Campeã e Terceira Melhor Vaca, são filhas de touros com sêmen comercializado pela Semex. No campeonato das vacas jovens, de 16 fêmeas finalistas, 12 eram filhas de touros da central.

Durante o Agroleite, a Associação Paranaense de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH), em parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa, lançou a 3ª edição do ranking das 100 vacas Top pelo Índice de Seleção Genética (ISG). Segundo o Diretor de Mercados da Semex Brasil, Cláudio Aragon, o índice ISG-PR é elaborado a partir do conjunto de características das habilidades de transmissão (PTAs) do animal para Produção, Conformação, Saúde e Fertilidade. Analisado exaustivamente e aprovado pelo Conselho Deliberativo Técnico da APCBRH, este índice é semelhante aos índices internacionais, como TPI, LPI e NVI.

“A função destes índices é fornecer ao criador a ferramenta que identifica os animais mais equilibrados em relação às características avaliadas. Atribuindo pesos específicos para cada característica, de acordo com sua importância para o mercado, o índice reflete a maximização da lucratividade ao longo das gerações. Na edição 2018 do ISG-PR, a Semex dominou a listagem das 100 Top Vacas. Dentre as Top 10 Vacas, sete são filhas de touros Semex (de cinco criadores diferentes); dentre as Top 15 Vacas, 10 são filhas de touros Semex; das Top 50 Vacas, 24 são filhas de touros Semex; e, no Top 100 Vacas, 43 são filhas de touros Semex”, informa Aragon.