Rapha Avellar e Ricardo Dias defendem criação acima da tecnologia em live sobre as mudanças na publicidade

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O empreendedor em série Rapha Avellar debateu ideias de peso em encontro com Ricardo Dias, vice-presidente de marketing da cervejaria Ambev, no último dia 20 durante live transmitida no canal do YouTube do CEO da agência Avellar.

Durante a conversa, a dupla defendeu uma preocupação maior por parte das empresas com a alocação de recursos para  publicidade, valorizando o foco na atenção das pessoas. “É preciso pensar: se você pegar o seu orçamento hoje e comparar com os dados sobre atenção referentes à mídia brasileira atual, será que cada real está bem investido? Eu imagino que não e esse é um problema a ser enfrentado cada vez mais”, afirmou Ricardo. “É o dinheiro certo alocado ao lugar errado, fora de onde os olhares estão.”

Já ao comentarem sobre publicidade em TVs, os especialistas foram categóricos. “Não, a TV não vai morrer, mas a forma como ela vai ser conduzida vai mudar”, disse Rapha. “Ela segue conseguindo atingir muitas pessoas, mas para gerar mais significado de verdade para as pessoas o produto deve ser trabalhado em outro meio.”

“Orçar campanhas já não faz o menor sentido, o responsável pelo marketing precisa priorizar investimento em atividades que já estejam funcionando, já estejam dando retorno. É óbvio que é preciso estimar os gastos, mas tentar prever com 18 meses de
antecedência o que vai ser tendência é impossível. Ou alguém poderia imaginar um cenário como o de uma pandemia”, afirmou Ricardo.

“É exatamente aí que o cenário de hoje é diferente em termos de mídia: no passado fazia sentido reunir um caminhão de dinheiro pois só havia a televisão, mas agora as mídias digitais permitem testes em pequena escala e quase que diários, o que facilita à empresa a enxergar por onde ela deve ir”, complementou Rapha.
A proliferação de lives atesta os comentários dos empresários, já não representam algo novo em relação a formato, mas sim a conteúdo. “A live não é tão diferente de um programa de TV, mas a interação é um diferencial que hoje em dia tem muita influência”,
afirmou Ricardo. “No futuro, a pessoa vai poder comprar os itens usados pelo cantor na live, vai poder participar, já temos shop streaming, telas divididas para exibição de redes sociais, ou seja, os espectadores participam, produzem conteúdo e são  diretamente impactados.”

Até mesmo eventos de moda entraram no bate-papo. “Por que uma semana de moda não poderia ser consumida dentro da casa do público-alvo, como se o espectador estivesse na primeira fileira, com brindes sendo oferecidos, com QR codes permitindo
uma experiência imediata de comércio? Por que precisam ser sempre eventos fechados para 200 pessoas?”, provoca Rapha. Ricardo complementou o pensamento, destacando que o avanço da tecnologia pode permitir a modelos a execução das próprias fotos, sugerindo um formato distinto para desfiles.

Durante o encontro, Rapha e Ricardo insistiram na importância das ideias, aquelas possam inclusive incomodar, chegando a sugerir que empresas definam um fundo para alocar recursos específicos para criá-las. “Big data, analytics, tecnologia que envolvam inteligência artificial, tudo isso é importante hoje em dia, mas, não me entendam mal quando afirmo que elas tendem a se transformar em commodities”, disse Rapha.

“Tecnologia é diferencial, mas o poder da criação será o verdadeiro definidor para sempre. Basta notar que o uso de algoritmos para otimização de campanhas era uma novidade há dez anos, mas é completamente comum agora. Já a capacidade de criar é eternamente inovadora”, afirmou.