Liana Bazanela fala sobre os desafios da mulher em cargos de liderança no mercado gaúcho

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Debater os desafios, a quebra de paradigmas e contar suas histórias como mulheres em cargos de liderança no meio empreendedor gaúcho. Essa foi a missão da presidente da Associação Riograndense de Propaganda (ARP), Liana Bazanela, da diretora-presidente da Carris, Helen Machado, e da sócio-fundadora da Malharia Anselmi, Maria de Lourdes Anselmi, no Tá na Mesa dessa quarta-feira, dia 6. O evento promovido pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) reúne empresários, políticos e personalidades para um bate-papo sobre temas atuais e relevantes.

Liana, que é a primeira mulher a ocupar a presidência da ARP, ressaltou a importância de se falar sobre o tema, contextualizando com a indústria de comunicação e criatividade. “É cada vez mais sobre conscientização, e menos sobre reivindicação. Nós, comunicadores, temos a responsabilidade de formar opiniões”, destaca ela. “O mundo mudou, e a gente tem que acompanhar. As marcas que entenderam isso assumem, inclusive, erros do passado – e isso ganha a empatia das pessoas que esperam um posicionamento transparente. Marca é significado, e significado é valor”, completa.

Conforme Liana apontou, pesquisas mostram que 65% do público feminino não se sente representado pela publicidade no Brasil. Paralelo a isso, existem menos de 20% de mulheres na criação das agências. “Como vamos retratar uma realidade a qual não conhecemos, quando na essência da comunicação a gente não tem diversidade?”, questionou a presidente da ARP. “Independente do modelo e função, todo mundo que trabalha com criatividade é corresponsável pelo futuro desse mercado”, finaliza.

A diretora-presidente da Carris, Helena, também apresentou sua trajetória dentro de um setor desafiador como o de transportes. “Percebi que ao invés de uma empresa cheia de problemas, eu tinha uma empresa cheia de oportunidades. Só que para ocorrer essa transformação, eu precisava focar na mudança da cultura da organização” relatou ela. Para isso, Helena começou a estabelecer a ordem e buscando a satisfação não só dos colaboradores, como dos clientes.

Desafiador também foi o caminho percorrido por Maria de Lourdes, que começou a produzir as primeiras peças de roupa da Anselmi em 1981. “Valorizei e economizei cada centavo. Tudo o que eu aprendi é porque sou muito curiosa”, conta ela, que hoje tem seus filhos trabalhando dentro da fábrica que construiu. Determinada, ela enfrentou todos os obstáculos e prosperou, sem nunca abandonar seus valores. “O mundo está de saco cheio de ver gente falar bonito e fazer feio”, concluiu.

O evento foi encerrado com um bate-papo com a presidente da Federasul, Simone Leite, também a primeira mulher a ocupar o cargo na entidade. Ela qualificou o encontro como oportunidade de inspiração para toda a sociedade gaúcha como símbolo de resistência frente às dificuldades para empreender.