Criação de impostos sobre gigantes da tecnologia pode acelerar recuperação da economia pós-pandemia

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A economia mundial enfrenta uma recessão devido à pandemia de Covid-19. Na contramão do cenário, as big tech representam as empresas que mais lucraram e cresceram durante o período. À exemplo, a somatórias dos últimos balanços trimestrais de apenas três delas — Amazon,  Alphabet, que controla o Google, e Facebook — representam mais de US $ 21,47 bilhões em faturamento, alta de 22% em relação ao mesmo período do ano passado.

Não é de se estranhar que em termos de economia mundial, muitas empresas enxerguem a taxação sobre essas grandes empresas como um dos fatores que podem ajudar na recuperação mais progressiva e acelerada dos países. “A grande questão com as big tech é que elas se encaixam na brecha do sistema internacional de tributação, que permite que essas multinacionais estabeleçam suas empresas em paraísos fiscais, onde pagam um imposto reduzido e deixam pagar de montantes significativos aos países onde mais lucram, como é o caso dos europeus”, aponta o especialista em tecnologia Bruno Maciel.

A questão é a nível internacional, porém rodeada de polêmicas. Recentemente, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) chegou a apresentar as primeiras propostas de uma tributação global.  Apesar de não ter avançado, em especial devido os Estados Unidos se oporem sobre o argumento que os impostos seriam uma retaliação ao Estado, visto que a maioria das big tech são estadunidenses, alguns países já avançaram nas discussões. Nessa semana, a França anunciou um plano de taxação.

A simples tributação dessas empresas poderia gerar US$ 100 bilhões anuais para 137 países, a maioria deles com a economia desequilibrada devido à Covid-19. “Em teses, as empresas de tecnologia teriam apenas uma pequena parcela dos seus milhões destinados à essas taxas, que poderiam ser designadas para outras áreas como saúde e educação. Muitos grandes empresários até mesmo pedem que essa tributação seja criada. Elon Musk, da Tesla, por exemplo, acredita que a taxação seja benéfica à economia”, aponta Bruno Maciel.