Burning Man pode ter brasileiros como criadores de conteúdo na edição virtual

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Kaleidoscope/divulgação

Considerado uma experiência social, o Burning Man é um dos maiores encontros de artistas do mundo, que buscam se auto expressar por meio de suas criações. O festival acontecia presencialmente, no deserto de Nevada (EUA), e reunia mais de 70 mil pessoas. Desde o ano passado, em decorrência da pandemia, o evento passou a ser virtual, aumentando as chances de brasileiros participarem, como foi o caso de Daniel Vettorazi, creative technologist, que participou da última edição com a obra Kaleidoscope. Neste ano, o festival será realizado entre os dias 29 de agosto e 06 de setembro.

É o segundo ano consecutivo que criativos brasileiros têm a chance de participar virtualmente com criações artísticas próprias ou como voluntários em projetos já existentes. Conforme conta Daniel Vettorazi, com esse novo modelo de festival, as chances foram ampliadas para quem deseja divulgar seus trabalhos e fazer networking com artistas do mundo inteiro em um evento internacional de grande porte. As oportunidades são para profissionais das áreas de modelagem 3D e 2D, programadores de Unity, Unreal, desenvolvedores de Front-End e Back-End, produtores musicais, entre outros.

Apesar de Vettorazi atuar no país americano, ele revela que a participação presencial no evento, principalmente de pessoas de outros países, exigia muito planejamento e investimento, como em passagens, visto, logística e estrutura. “Sempre tive o sonho de criar algo para o evento, mas o grau de planejamento e investimento que a participação exigia foi sempre um obstáculo. Quando soube que a edição de 2020 seria online e que eu poderia participar criando uma obra artística em realidade virtual, que é minha área de trabalho, vi uma chance, que sempre pareceu impossível para a maioria dos artistas brasileiros”, revela.

Daniel Vettorazi/divulgação

A obra exposta pelo profissional mesclava inteligência artificial, inovação e criatividade através do uso de Realidade Virtual. A interação acontecia em uma estrutura em forma de “doma”, onde o usuário entrava em uma jornada visual dentro de um grande caleidoscópio 3D, em um looping imersivo. Para este ano, o tema do evento é “O Grande Desconhecido”, cujo foco será nas mudanças desconhecidas do novo mundo pós pandêmico e tem como objetivo propor uma reflexão sobre a reinvenção da sociedade e da cultura em formas que não seriam possíveis após um período de pausa forçada.

Daniel Vettorazi trabalha há quase três anos na Buck, empresa que atende clientes como Google, Facebook, Instagram e Disney. Sua carreira na área de experiências imersivas iniciou ainda no Brasil, por volta de 2010, com trabalhos autônomos, onde pôde aprofundar a prática e os estudos no tema. Em 2019, com conhecimento avançado, mas sem espaço para crescimento nessa área no país, decide se inscrever em uma oportunidade nos Estados Unidos, onde passaria a integrar uma equipe de experiências imersivas, agregando seus conhecimentos criativos de publicidade.