Antonio Gornatti – “A grande mudança da nova economia é que ela consegue atacar pontos da cadeia que o player não está preparado para defender”

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Antonio Cornatti

Nas últimas décadas, Porto Alegre tem se consolidado como um polo de empreendimento digital no Brasil. Um dos ativos integrantes desse processo é o analistas de sistemas Antonio Gornatti, head de marketing da 4all, empresa gaúcha de tecnologia que desenvolve plataformas digitais, recentemente instalada no Tecnopuc.

O grupo integra nove unidades de negócios, sendo que já possuem marcas próprias a Uhuu (plataforma de entretenimento), a IDT (responsável pelo serviço Grêmio Mais), a Compontos (wallet de pontos) e a Share Eat (rede social de gastronomia).

Nascido em Rivera, no Uruguai, em 1967, Gornatti veio com 15 anos para Porto Alegre. Trabalhou com tecnologia e com marketing em empresas como Globosat, NET, e RBS. Também trabalhou como consultor e criou empresas digitais como a agência Winehouse e o Grupo Domani. Após um período de ativismo político, foi diretor do Escritório de Eventos da Prefeitura de Porto Alegre. Em agosto de 2018, assumiu a chefia de marketing da 4all.

Nesta entrevista, Gornatti fala sobre as transformações que estão sendo geradas pela revolução digital, seus efeitos na sociedade e nas pessoas e o que esperar do futuro, entre outros temas.

Tu atuas com tecnologia e marketing. Como começou essa trajetória?
Vim para Porto Alegre com 15 anos e estudei na Engenharia Elétrica da PUC. Eu queria fazer alguma coisa com computador, na época não tinha. Estudei Engenharia Elétrica e aí quando começaram os cursos de análise de sistemas eu migrei. Meu primeiro emprego foi numa empresa chamada Horizonte Sul, formada pelo grupo RBS, pela Globo, para explorar televisão por assinatura quando ela ainda não existia no Brasil. E ela criou uma empresa que era ao mesmo tempo programadora e distribuidora, que era a Globosat nos seus primeiros momentos. Comecei trabalhando aí, em tecnologia, e gostei da área de marketing e programação. Entrei num programa de trainee que era para ser um dos dirigentes da NET, e fiquei um tempo longo por lá. Depois surgiu um convite para assumir a área de internet da RBS, onde fizemos um projeto que acabou sendo o ClicRBS. Quando o Pedro Parente fez um downsizing na empresa eu saí e virei consultor de tecnologia. Montei uma agência digital chamada Winehouse junto com o Diego Fabris, que hoje trabalha comigo, mas na época ele tinha a ideia de fazer o Destemperados, que criou depois. Também daí, geramos o grupo Domani, que chegou a ter iniciativas de compras coletivas aqui em Porto Alegre. Em 2012, nós separamos as sociedades e eu bati a cabeça e virei ativista político, estava incomodando com a situação do país, voltei a fazer consultoria, mas me dediquei bastante ao ativismo.

Como foi esse envolvimento com a política?
Em 2013, com os grandes protestos de rua contra o governo, ficou claro que alguma coisa precisava ser feita. A gente criou a Banda Loka Liberal, aqui no Sul articulamos outros movimentos políticos e eu fiquei, de 2013 a 2015, segundo a minha mulher, num mundo paralelo de altruísmo, tentando mudar o país. Participei dos movimentos nacionais, que acabaram com o impeachment da Dilma e a saída do PT do governo. Coordenei o Vem Pra Rua aqui no Rio Grande do Sul todo esse tempo, aí fizemos a campanha do Nelson Marchezan Júnior para a prefeitura. Com a vitória dele, fizemos uma proposta de algumas iniciativas para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, onde o Ricardo Gomes assumiu como secretário e montamos o Escritório de Eventos de Porto Alegre, onde fiquei dois anos como diretor, com a meta de desburocratizar, simplificar e permitir que o espaço público fosse usado pela população.

O que te trouxe para a 4all?
Eu estava de saída do Escritório de Eventos de Porto Alegre, já me preparando para empreender de novo, quando surgiu o convite do José Renato Hopf (CEO da 4all) para conhecer a empresa. Eu me apaixonei pelo projeto, entendi o que é transformação digital, que é um tsunami, uma onda gigantesca que vai cair em cima do mercado. Quem não se transformar, está fora. Isso aconteceu durante a Revolução Industrial na história recente da humanidade. Então, me apaixonei por isso e já estou com um senso de urgência aqui, trabalhando como Head de Marketing, ajudando as operações a se posicionarem no mercado, mas também reposicionando a 4all como um hub de empresas digitais.

Por que urgência? Qual o tsunami que a transformação digital está trazendo para a sociedade?
A grande mudança da nova economia é que ela consegue atacar pontos da cadeia que o player não está preparado para defender. Antigamente, você olhava para o mercado, para o concorrente. Por exemplo, se você tinha uma padaria, ficava olhando na sua volta e questionava: “quais são as padarias que estão perto de mim, o que esses caras estão fazendo?”. Hoje, no mundo digital, tem um guri dentro de uma garagem que pegou o seu processo, esticou ele e está olhando um ponto fraco. E ele descobre que o cliente quer, na realidade, ao consumir pão, um produto quentinho na porta da casa dele. E aí ele não é mais uma padaria, ele é um cara que entrega pão. Ele quebra o processo, e torna a padaria dependente dele, e esculhamba as margens de um negócio que está estabelecido.

Foi o que essas novas empresas disruptivas fizeram? A Uber com o serviço de táxi, o Airbnb com os hotéis…
Mais ou menos a mesma coisa, eles trabalham com desintermediação. E tem literaturas que já estão dizendo que esse era um movimento intermediário, porque o Uber ainda detém o funcionamento do processo, ele determina o que ele paga, para quem paga e quando paga. Tem um negócio ainda mais disruptivo, baseado em plataforma, que é o modelo funcionando sem um coordenador. E o sistema coordenando as transações. Por exemplo, eu, como motorista, digo que vou de um ponto a outro por R$ 5,00. E tem o outro que diz que vai por R$ 4,00. E o sistema só coordena o processo. Já tem alguns modelos funcionando assim…

 O dinheiro circulante vai acabar?
O dinheiro circulante acaba. Hoje, ele já é muito eletrônico, o blockchain traz uma confiabilidade de transação que a gente nunca tinha visto antigamente. Então, o dinheiro vai acabar, por interesse também, porque o eletrônico é muito mais confiável que o físico.

Essa “democratização” dos sistemas financeiros acaba com o sistema bancário como a gente conhece hoje, que domina o mundo? É um hacker?
Ele subverte a lógica do sistema financeiro. Agora, eu, particularmente, ainda espero o contra-ataque do sistema financeiro. Algumas instituições grandes já estão entrando no mesmo modelo disruptivo, que surgiu com esses “banks as a service”.  Mas eles são muito mais poderosos nesse momento, eu duvido que eles fiquem parados olhando a movimentação de mercado comendo eles. O Nubank hoje é um fenômeno e na esteira do Nubank tem mais coisas surgindo.

O que é ter uma carteira digital?
 Uma carteira digital é um conceito amplo, que ainda está em consolidação, mas basicamente é um espaço digital onde tu colocas uma moeda – que não é necessariamente dinheiro, pode ser pontos – e tu usas ela para transacionar fora do mundo financeiro. Porque hoje, se a gente está estabelecendo entre nós uma relação financeira de venda e compra, a cada transação tem uma taxação. Para uma carteira digital, o que importa é como tu abres e como tu fechas o teu dia. Eu consolido uma operação, às vezes nenhuma. Se tu começas teu dia com R$ 100,00, faz mil transações e o teu dia termina com R$ 100,00, eu não mexo nela, eu não faço nenhuma transação. Se tu estivesses num banco, tu terias sido taxado por mil transações.

Essa libertação do consumidor, da pessoa, enquanto agente econômico, não “hackeia” os governos também? Os governos também não estão meio atônitos?
Os governos não sabem o que está acontecendo. Especificamente no Brasil, onde o que não existe é proibido. A gente tem um paradoxo aqui. Deveria ser: o que não existe, tenta fazer. A gente boicota o desenvolvimento aqui, porque se algo não existe, não pode ser feito. Agora, lá em São Paulo, criaram uma legislação absurda para os patinetes elétrico. Isso porque é disruptivo para o governo. A Estônia, que é o benchmark de governo digital, tem uma visão que aqui no Brasil a gente entende dizendo “o melhor juiz de futebol é aquele que termina o jogo e ninguém sabe que ele estava lá”. O objetivo do governo da Estônia é ser discreto, prestando serviço para o cidadão e dando a possibilidade para que tenha uma mesma exigência do nível de prestação de serviço estatal que possui no mundo privado.

Essa nova onda, por um lado, empodera nossa individualidade, do ponto-de-vista de consumo, de decisão, de influência… Mas também é preocupante, como as tecnologias de reconhecimento facial… Não teríamos algo como um “Big Brother”, uma possibilidade de mais controle da população?
Obviamente nós, latinos, temos que tomar cuidado, porque a gente se livra do governo porque é digital, mas, se tiver um mal-intencionado no controle ele tem muito mais poder, porque sabe todos os teus hábitos. A revolução que está para acontecer, e eu sou um pouco mais alarmista que os outros, ela não é nem tecnológica, ela é uma revolução cognitiva. Eu citei antes a Revolução Industrial para que a gente tenha noção de quem era competitivo antes dela deixou de ser depois da industrialização. Aqui é muito pior, porque vêm coisas que a gente não entende, como a internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), ou o 5G, que não é só um aumento de velocidade de transmissão de dados. Eu vi um teste agora de uma orquestra tocando com os instrumentos separados, perfeitamente sincronizados. Eles tiveram que refazer a partitura de um violino, tinham dois violinos tocando a mesma partitura, porque parecia que era um só. Remoto. O delay que a gente está acostumado a ver em TV, rádio, vai acabar. Um médico cirurgião vai poder operar alguém a muita distância. A gente vai poder ter a viabilidade dos carros autônomos. Vai ser um mundo absurdamente novo. E se a internet que a gente usa hoje foi feita para a interação do homem com a máquina, a internet das coisas é máquina com máquina, então a informação que ela trafega é muito maior e muito mais rápida.

Nós seremos dominados pelas máquinas?
É um risco. Hoje, se pensar quantas vezes por dia a gente está sujeito ao controle da máquina… Quando entramos no carro, se ele resolver não frear, ele toma as rédeas. No elevador, se ele resolver não parar, ele toma as rédeas. Carros autônomos, tu tens um telefone que pode explodir no teu ouvido se ele tomar a decisão de esquentar a bateria, então eu tenho medo disso.

Boa parte dos empregos de hoje, no futuro, vão ser ocupados por máquinas? Qual vai ser a solução para produzir emprego?
Teve algumas experiências, parece na Europa, em relação a isso, em que eles remuneravam o cidadão lá para ser consumidor. A China, que é um país paradoxal, optou por não desenvolver a agricultura. Em termos tecnológicos, a agricultura chinesa é muito artesanal. Isso para não ter o risco de ter milhões de chineses saindo do campo.

É paranoia a gente achar que quando falamos alguma coisa, não precisa nem consultar, daqui a pouco começa a aparecer propaganda no Facebook, no Google, na Smart TV…?
Nenhuma paranoia, o computador está te escutando o tempo inteiro. Os voice assistant são a próxima moda. Tem uma briga grande aí para botar os voice assistant dentro dos carros, também. A questão daí volta para a LGPD (Regulamento Geral de Proteção de Dados), que no Brasil entra em vigor em 2020, e é uma tentativa de proteger essa individualidade.

Levando ao extremo, vamos chegar daqui a 20 anos tendo um governo, talvez até universal, que sabe que o Gornatti aqui em Porto Alegre está fazendo, o que está pensando?
É um cenário possível, sim.

A China não está nesse caminho?
Essa é briga que a gente está vendo agora, que para o cidadão comum, leigo, é o Donald Trump barrando a entrada da Huawei nos Estados Unidos. Isso é na verdade é uma questão de segurança, o buraco é mais em baixo. É relativo ao 5G, uma tecnologia muito disruptiva, e na qual os Estados Unidos está um pouquinho atrasado em relação à China. É uma briga pelo poder, pela informação. Quem detém a informação, detém o poder.

Nós, seres humanos, somos previsíveis?
Somos absolutamente previsíveis, em todos os aspectos.

E há um ser humano universal? O estoniano, basicamente, sente, pensa e age como um brasileiro de Porto Alegre?
Na média, somos parecidos, mas o meio afeta demais isso. Nossas preocupações aqui em Porto Alegre não tem absolutamente nada a ver com as preocupações de um estoniano, e isso afeta muito nosso dia-a-dia. Imagina um Brasil sem pensar no governo. Faz 40 anos que a gente pensa diariamente no governo. Imagina uma vida sem pensar nisso, uma vida tranquila sem um cara querendo regulação para higienizar o teu carrinho de supermercado. A única maneira possível de mudar o país, na complexidade da conjuntura, é pela transformação digital. O digital é inclusivo. Os brasileiros da população economicamente ativa, todos eles têm um telefone.

As redes sociais de alguma forma provaram isso.
Elas mudaram completamente o jogo. Hoje, com as redes, o protagonismo é do indivíduo. Ele é o influenciador.

As novas gerações estão melhor preparadas para as mudanças que estão acontecendo?
Vejo as diferenças pelos jovens que trabalham aqui. Os mais novos são absolutamente desapegados com o tempo, eles são a geração do ser. A preocupação que as pessoas da minha geração tinham, de ter uma carreira profissional longa e próspera, para eles não faz nenhum sentido. Eles estão em um projeto pessoal. A formação deles é diferente da nossa. Quando a gente optava por ser analista de sistemas querendo ser analista de sistemas, eles optam por passar por alguma coisa para ter determinado skill para o objetivo deles. Isso é chocante até, ver um guri de 20 anos dizer “eu fiz engenharia de produção porque eu queria este e este skill específico, e aí eu fiz programação porque eu queria esse e esse”. Essa questão das jornadas, das trilhas, que a gente está vendo em convenções, palestras, etc., isso é a vida deles, isso é nativo deles. Então, essa geração, na minha opinião, é muito mais ágil que a nossa, porque a gente se propunha a fazer um negócio no médio e no longo prazo, e eles têm pequenas histórias.

E entre os pontos negativos dessa diferença de pensamento?
Eles são poucos resilientes. A gente, que é mais velho, é mais casca grossa. aguenta mais o tranco. Eles são pouco resistentes à frustração. Se pressionar demais, ele vai surfar na Austrália. Ele diz “vou para outra coisa, porque não gostei”. E isso também contribui para um turnover alto. Li uma matéria que, no Vale do Silício, um funcionário trabalha um ano e meio, dois anos em média nas grandes empresas. Isso é muito tempo dentro das grandes de tecnologia.

E as empresas, como estão lidando com essas transformações?
Imagina uma empresa que está lucrativa, que está tudo bem e ela vem a cada ano melhorando os processos, ela vem fazendo mais barato, mais rápido, mais eficiente e com maior satisfação do cliente. Está tudo bem, só que ela está numa curva S de tecnologia que está à beira da disrupção. Vai acabar essa curva e começar outra. Aí tu chegas para o cara lá e diz “velho, tu tens que te transformar digitalmente, senão tu vais morrer.” É preciso um processo de convencimento para um cara que está vendo tudo bem, que diz “morrer? “Mas está tudo bem, estou lucrativo e tal”, é doloroso, porque a transformação digital é quase que um suicídio assistido. Eu hoje trabalho como o cara que vai estar aqui do teu lado, pegando na tua mão, e dizendo “eu vou te matar e tu vais nascer transformado digitalmente do outro lado”.

Os ciclos de vida das tecnologias são cada vez menores, não?
Cada vez menores. A curva de adoção é o que mais assusta, mais do que o ciclo de vida. Antigamente, uma tecnologia demorava um tempo grande para ser adotada. Se pensar que há 20 anos a gente estava na idade da pedra digital, a gente fazia compra na loja física, e em 20 anos aconteceu toda essa mudança, a velocidade dos próximos cinco anos com o 5G e com a internet das coisas vai mudar o mundo, vai virar tudo de cabeça para baixo. Tu vais estar me olhando com um óculos e vai ter nele um dispositivo para checar as informações que estou dando em tempo real. Mas, vale lembrar que a transformação digital é um  mindset. Ela não é a tecnologia, ela é a maneira como nós vamos viver nesse mundo maluco.

Porto Alegre é uma cidade amiga do empreendimento? É uma cidade onde podem prosperar empresas de tecnologia?
Porto Alegre hoje já é certamente um dos três principais polos tecnológicos do Brasil. O movimento que o município fez com o Pacto Alegre é muito importante. O Josep Piqué é um cara que traz muita confiança para um movimento como esse, porque ele já fez isso em Barcelona e em outras cidades. O município tem características importantes para ser sponsor de um projeto como esses. Em Porto Alegre, hoje, se precisar de uma área física para botar uma empresa, uma indústria, não se consegue, é uma área muito urbana, sem espaços vazios. Então a indústria criativa tem tudo a ver com o município de Porto Alegre. O que precisa? Precisa a prefeitura municipal, o poder público, entender a importância de tornar esse segmento competitivo, em termos fiscais.

O setor privado gaúcho tem essa visão do que vem por aí? Ou ainda está pensando com o mindset antigo?
Não dá para olhar de uma forma única. Eu tenho viajado e sentido algumas cidades, Porto Alegre está na frente da maioria. A gente tem movimentos aqui, tem um movimento chamado Porto Alegre Inquieta, que é incrível, foi criado pelo César Paz e hoje saiu do controle, de tão grande e tão interativo que está, tão propositivo. Assim como o Porto Alegre Inquieta, tem vários outros movimentos. O Pacto Alegre teve uma reunião recente, que foi incrível, porque estava toda a representatividade do setor público, do ensino e do privado, elegemos alguns projetos prioritários para tocar. Porto Alegre está na frente desse movimento, está puxando o Brasil.

E no setor de comunicação, marketing, publicidade, como tu vês a inserção no movimento de inovação?
Ele tem que se reinventar. A dificuldade maior do cara se transformar é achar que está tudo bem, fazer por iniciativa própria. A gente vê grandes grupos de comunicação tentando se reinventar há muito tempo e ainda não encontraram o caminho. É preciso ser radical.

O conteúdo, na área de comunicação, nesse mundo 5G, ao mudar a plataforma, ele muda também?
O conteúdo é sempre o que ganha. Sempre foi e sempre vai ser. O resto é meio, a forma de entregar é transitória. O meio nunca foi um fator preponderante de sucesso, ele é circunstancial.

O pensamento do ser humano vai mudar?
Tem um autor que eu leio, que fala sobre a evolução da espécie humana, ele diz que a próxima espécie será um misto de humano com máquina. De certa forma hoje nós já somos isso, porque eu não preciso saber mais. Eu preciso saber achar. Eu sofri isso na carne há algum tempo atrás. Estava em um processo de seleção com alguns estagiários. Perguntei “quem sabe tal coisa?”, vendo se eles tinham um conhecimento geral e uma moça levantou o braço e disse “eu sei!”. “E qual é a resposta?”, questionei, e ela “não, peraí”, e começou a pesquisar no celular. E é isso, tu não precisa saber as coisas, basta saber achar.

O futuro é de se temer ou de se abraçar?
O futuro é de se viver. A grande luta continua a mesma, para o bem e para o mal. Para que a gente usa isso? A possibilidade que a gente tem de a engenharia genética fazer um fígado novo e colocar em alguém que precisa é a mesma que existe de fazer um fígado que controle a pessoa, que dê condições a alguém ter poder sobre ele. Então a briga entre o bem o mal na humanidade continua.