Propagandas de Natal que fizeram história

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Natal da Varig

Natal é uma “época de amor e paz”, mas também a data de vendas mais importante do ano. Com o 13º salário no bolso e as festas de fim de ano como incentivo, os consumidores vão às compras de presentes. Com isso, muitas empresas aproveitam essa época para divulgar anúncios, seja tentando vender seus produtos, ou para fixar sua marca e transmitir valores. Mas algumas dessas peças publicitárias ganharam tanta notoriedade que se tornaram parte da cultura popular.

No Brasil, um dos maiores exemplos desses “clássicos audiovisuais natalinos” foram as campanhas da companhia aérea Varig. Quem viveu entre os anos 1960 e 2000 provavelmente ouviu a música “Estrela brasileira no céu azul / Anunciando de norte a sul / Mensagem de amor e paz / Nasceu Jesus, chegou o Natal…”. O jingle foi criado em 1963 pelo paulistano Caetano Zamma, um dos integrantes do grupo paulista de Bossa Nova, ao lado de Johnny Alf, Agostinho dos Santos e Maysa. Ele compôs cerca de 150 músicas, mas o jingle de natal da Varig é a sua canção mais conhecida.

Durante os anos a letra foi modificada, na letra original o verso “estrela das Américas” foi trocado para “estrela brasileira”.  No entanto, o jingle era um grande sucesso. A cada ano, havia uma grande expectativa de como seria o comercial de Natal da Varig. Gravada originalmente por Clélia Simone, a música foi cantada por Xuxa, Jorge Ben Jor e outros artistas. No entanto, uma de suas versões mais comoventes foi gravada com crianças representando as várias regiões brasileiras.

A Coca-Cola leva a fama de ter praticamente inventado a imagem do Papai Noel como conhecemos hoje. Foi o ilustrador Haddon Sundblom que, trabalhando para a empresa, criou, nos anos 1930, a figura de um velhinho Noel caloroso, amigável, gorducho e humano (e com um casaco vermelho). Seguindo essa tradição, a empresa costuma sempre lançar propagandas especiais para a data. Uma das mais icônicas foi a da caravana de natal com caminhões iluminados, lançada em 1995, com a música “O Natal vem vindo, vem vindo o Natal”.

Outra empresa que costuma ter campanhas de Natal muito estimadas pelo público é a rede gaúcha de supermercados Zaffari, que geralmente explora a emoção em suas peças natalinas. Um filme marcante foi o de 2005, embalado pela música de Claudinho e Buchecha, que conta a história de uma menina que espera a mãe grávida voltar do hospital.

Uma peça do Zaffari que deve ter emocionado muitas mães foi a do Natal de 2011, que conta a história do filho que foi morar no exterior e vai passar o Natal longe de casa. A música do filme é a famosa “No dia em que eu saí de casa”, de Joel Marques (e que ficou famosa na voz de Zezé di Camargo e Luciano).

A Panvel é outra marca gaúcha reconhecida pelos seus comerciais natalinos. Uma peça que despertou grande atenção foi A História de Sofia. Lançada em 2012, o vídeo soma, até hoje, mais de 2,6 milhões de visualizações no YouTube. O filme mostra a história de carinho entre uma família e a cadela chamada Sofia, com base em um texto de José Pedro Goulart.

Na década de 1980, o comercial de Natal mais marcante talvez tenha sido o do extinto Banco Nacional. O filme mostrava um garoto que corria para não perder a apresentação do coral de crianças do qual participava. A letra da música cantada  – “Quero ver você não chorar, não olhar para trás nem se arrepender do que faz…” – ficou na memória de vários brasileiros.

Já na década de 1970, o slogan “Não esqueça minha Caloi” foi tema de diversas propagandas que incentivavam as crianças a escreverem bilhetes com a mensagem para ganhar de presente de Natal a tão sonhada bicicleta. Nessa mesma época, em 1978, a Olivetti apresentou uma peça marcante, que era a imagem de uma máquina que vai escrevendo a mensagem “Neste Natal dê uma Olivetti portátil de Presente” – que era datilografada no ritmo da música “Noite Feliz”.

Apostando em uma abordagem mais afetiva, as propagandas de Natal reforçam as marcas das empresas e sua vinculação comunitária. Embora, muitas vezes, o resultado possa ser muito tradicional  – ou até mesmo piegas -, a qualidade de alguns desses comerciais faz com que jingles antigos sejam cantados até hoje, e cenas emotivas marquem a memória do público.