A comunicação não é estratégica

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A comunicação é a estratégia e é por isso que a agenda programática de aniquilar a palavra, o discurso e a narrativa avança para uma fase ainda mais maligna.

Depois de desconstruir a verdade como conceito e como fato veio a era de desmonte das reputações. Antes fosse a chegada da imprensa marrom interessada em celebridades. Não é. O foco é atingir em cheio entidades, instituições, ciência e a democracia. Já deixamos a  sala de espera desse desmanche e agora brigamos entre tirar e colocar peças dessa ideia moribunda de nação, civilidade, futuro.

Lembram quando a comunicação foi chamada de 4º poder? É moçada… era por isso. A comunicação NÃO é poderosa porque seu filho pode ser uma subcelebridade do youtube ou porque você vai se tornar um influencer a partir de seguidores comprados num mercado barato (e sujo). É porque de fato é uma sustentação social da via democrática, ainda que a imprensa (que muitos confundem com comunicação) tenha suas mazelas. A comunicação sempre foi social. Quando passou a servir a indústria, as pessoas passaram a virar a mercadoria. A comunicação é a dança da palavra e a palavra é a base do pensamento. Sem linguagem não existe crítica. Sem palavra não há pensamento. Não temos como pensar no futuro se não conjugamos, se não internalizamos o conceito de tempo que é facilmente alcançado do abstrato ao prático por meio da linguagem. Quando conseguimos pensar o que foi, o que é, o que poderia ter sido. Como vamos agir sem pensar e como manteremos o pensamento à medida que a meta é matar a palavra, a linguagem e a comunicação?

Taxar livros, liberar armas. Uma dica.

Tudo que passa a servir essencialmente ao mercado ou narcisisticamente a sua própria indústria fará de você um produto barato. Já era, está sendo e vai piorar. O drama, antes, era a corrida para comprar o esmalte da Jade da “novela das oito”. Agora, é acreditar que a Jade quer destruir a sua família porque é uma mulher professora que debate sexualidade.

As pessoas andam odiando a TV. OK, muitas vezes estou de acordo. Mas agora, via outros meios, não é um produto que te vendem. Você é o produto que serve para movimentar uma visão de futuro que você não foi chamado para debater e vai comprar graças à falta de fatos, dados e comunicação social.  Acorda palhaço, volta a correr atrás do esmalte verde da Jade antes que te façam crer que você deve beber ele para ter imunidade às novas doenças que te rondam.

Por Marta Dueñas