Três mulheres empreendedoras que dão exemplo de ética, competência e respeito

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Liana Bazanela, presidente da ARP

Três exemplos de mulheres empreendedoras foram a pauta da reunião Tá na mesa, na quarta-feira (6 de novembro), na Federasul, em Porto Alegre: a diretora-presidente da Companhia Carris Porto-Alegrense, Helen Machado, a presidente da Associação Riograndense de Propaganda (ARP), Liana Bazanela, e a sócia-fundadora da Malharia Anselmi, Maria de Lourdes Anselmi.

Maria de Lourdes Anselmi, sócia fundadora da Malharia Anselmi

A empresária Maria de Lourdes Anselmi deu um show de simplicidade. Falando com coração aberto, resgatou o começo da Malharia Anselmi há 40 anos atrás, quando começou com uma simples confecção de 15 camisas num pequeno quarto e que hoje conta com um parque fabril com 14 mil m² em Farroupilha. “Tudo o que eu aprendi é porque sou curiosa”, revelou.

Maria reforçou que o principal pilar de sua vida pessoal e profissional são os  valores éticos transmitidos por seus pais. “Fundamental ser transparente nos negócios. Fazer as coisas de forma correta. Valores que aprendi com meus pais”, contou.

Maria disse que está sempre olhando para o coletivo e respeitando todos os funcionários. “O mundo está cansado de ouvir gente falando bonito e fazendo feio. Não precisa fazer muita coisa. Mas fazer da forma correta. Acho que no mundo está faltando isso: parar de olhar para o próprio umbigo e ter um olhar para o coletivo”, disse. “Se fizermos a escolha para o lado do amor sempre vamos fazer a escolha certa”, aconselhou.

A publicitária Liana Bazanela, primeira mulher a assumir a presidência da ARP (Associação Riograndense de Propaganda), observou que a participação da mulher no mundo dos negócios, principalmente em cargos de gestão, ainda é muito pequena. A área da comunicação, segundo Liana, tem grande papel para mudar essa realidade. “Queremos mais conscientização do que reivindicação de espaço. Temos o papel de formar opinião”, disse.  “65% do público feminino não se vê representado pela publicidade brasileira em pleno 2019 e isso nós precisamos modificar”, enfatizou.

 

Liana comentou sobre o movimento WWW.moregrls.com.br  que incentiva o mercado publicitário a que mais mulheres estejam nos cargos de criação. “Na comunicação, somos a minoria. Precisamos falar sobre isso. Mais mulheres em cargos de gestão resultará em mais oportunidade de contratação de mulheres em agências de publicidade”, disse.

Movimento www.moregrls.com.br

Liana citou exemplos de marcas que acompanham as mudanças de mentalidade do mercado e ousam mudar o posicionamento como o caso da Skol que saiu de uma crise de marca, reconheceu a postura machista das antigas campanhas e assumiu uma comunicação inteligente traduzida no slogan “Redondo é sair do seu passado”.

A diretora-presidente da Companhia Carris Porto-Alegrense, Helen Machado, conseguiu fazer uma ruptura do caos dentro da Carris, através de um amplo projeto de reformulação da companhia, e criar uma nova cultura dentro da empresa, envolvendo todos os funcionários. “O maior problema nem era financeiro, era a cultura organizacional”, lembra. “Não tem mudança quando o DNA da empresa está contaminado. É preciso buscar geração de oportunidades através das pessoas”, diz.

Helen Machado, diretora-presidente da Companhia Carris Porto-Alegrense

Em dois anos, a gestão de Helen foi a responsável pela redução do déficit da empresa de transporte coletivo em 70%.

Responsável pela mediação do painel, a presidente da Federasul, Simone Leite, qualificou o encontro como oportunidade de inspiração para toda a sociedade gaúcha como símbolo de resistência frente às dificuldades para empreender.

Com suas histórias, as mulheres mostraram na Federasul porque ainda é preciso falar sobre o tema para que aumente a participação feminina  no mercado de trabalho, principalmente em cargos de liderança e não fique somente como se fosse um “sistema de cotas” como brincou Liana.