Simplesmente PJ

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Numa simples busca na web, PJ Pereira aparece principalmente como roteirista e escritor. As atividades se somam à sua carreira de sucesso na publicidade, onde ele hoje ocupa o topo  da cadeia alimentar criativa: PJ é Creative Chairman da Pereira O’Dell, agência que fundou há 12 anos, metade da sua carreira em propaganda. Há quase 15 anos, ele mora em São Francisco, nos EUA, e acaba de se mudar para NY com o objetivo de fortalecer a presença da agência na costa leste. Pai, marido, ativista, escritor, professor, lutador… ele prefere ser simplesmente PJ.

O que é novo, hoje, na comunicação das marcas, na sua visão?
A necessidade de nos preocuparmos tanto com o retorno sobre o investimento de tempo do consumidor nas nossas mensagens quanto nos preocupamos com o investimento de dinheiro dos nossos clientes, porque quando a decisão do que assistir passa a ser deles, precisamos valorizar esse tempo. E o próximo será a inclusão de propriedade intelectual nas relações agência-anunciante por conta do mundo do branded entertainment, que é um híbrido de serviço e sociedade.

Na sua opinião, marcas devem se posicionar politicamente?
Às vezes parece que o mundo ficou mais difícil. Mas, acho que ficou mais honesto. Já não dá mais para acreditar na falácia do Brasil (e do mundo todo, pra ser sincero) não ser um lugar racista. Não dá mais para negar a desigualdade. O sexismo. As evidências o ageism estão vindo aí também… Claro, tem gente ainda reclamando que não dá mais para fazer piada de viado. Não é mais engraçado fazer piada de viado. Mas, é preciso entender o que essa mudança realmente significa. Ou deveria significar. Se ajustar a esse novo mundo não é, necessariamente, a exigência de assumir posições políticas. Isso é uma possibilidade, e eu acho que quem tem uma posição política clara, deve usá-la sem receio, como a Nike fez recentemente com a campanha estrelada pelo Kaepernik, que ganhou tantos prêmios. Mas, veja, a propaganda é feita de originalidade, então se você quer abraçar uma causa para se destacar do resto, acho que esse tempo já passou. Por princípio, ótimo, para se desgrudar da manada, às vezes é melhor seguir o caminho oposto.

Você optou por um novo modo de vida, mais saudável, emagreceu muito e fala muito disso publicamente. Onde encontrou forças para fazer este movimento e o que ele trouxe para você?
Eu tenho um traço de personalidade que me faz ter que terminar qualquer coisa que eu começo. É um desespero deixar algo sem terminar. Se começo a escrever algo de tarde e chega no fim do dia ainda não está pronto, eu fico acordado até achar que finalizei. Isso me ajudou muito na vida profissional. Mas, esse mesmo traço mais tarde começou a se manifestar na mesa. Eu não conseguia mais parar de comer enquanto houvesse comida no prato. Quando eu fiz 45 anos eu tentei marcar uma cirurgia de garganta e o médico disse que não faria porque eu estava muito pesado e ele não iria correr esse risco. Foi quando eu me preocupei. Meu pai morreu do coração aos 49, eu estava muito perto disso. Então mergulhei fundo, fiz uma cirurgia de estômago (que é algo muito sério e perigoso, não quero que ninguém leia isso aqui e ache que estou sugerindo que façam também, ok?), mas também voltei a me exercitar de verdade e fui fazer análise para tratar do vício. Perdi quase 60 kg. Esse mês eu comemorei um ano seguido no peso em que estou, que é uma grande vitória. Mas, sei que o desafio ainda maior são os anos que estão por vir. Até porque, num compromisso de vida, minha loucura por terminar não termina até que dê errado e eu morra.

 40 com menos de 40
O brasileiro Vitor Amos, diretor geral de planejamento da Africa, está entre os 40 profissionais mais interessantes do mundo da comunicação e do marketing com menos de 40 da seção anual “40 under 40” do jornal americano Ad Age, considerado até os dias de hoje uma espécie de guia ou bíblia da indústria da comunicação global. Na lista, Vitor aparece como um dos nomes por trás da campanha “Tagwords” para Budweiser, que ganhou o Grand Prix em print este ano no Cannes Lions. A campanha celebrou a autêntica e histórica relação da marca com a música – seja nas ruas, em festivais, em festas ou shows, entre fãs de música ou até mesmo nas mãos de grandes artistas do rock. Com poucas palavras e uma provocação para que as pessoas procurem o significado por trás do que estão vendo, a campanha revelou fotos espontâneas, que contam momentos genuínos do mundo da música, e nunca pensadas para fazerem parte de uma campanha publicitária da marca.  A campanha contou com posters, mídias OOH, projeções em prédios, muros pintados e banners pelas cidades.  Nas peças, palavras-chave previamente rastreadas pela Bud estão linkadas a imagens históricas do mundo da música. E quem as encontra, é o consumidor. Conheça o case aqui: https://youtu.be/p8HDDjVqPDQ.

O mídia do futuro
Em um bate-papo na PUC do Rio de Janeiro, que reuniu profissionais de mídia a um historiador e psicólogo, uma pesquisadora e uma analista cultural, o Grupo de Mídia do Rio de Janeiro tentou traçar o perfil do novo profissional de mídia. “Aprofundar a discussão a respeito do papel desse profissional, as habilidades e competências necessárias e as necessidades de mudanças é a intenção do encontro”, diz Antonio Jorge Alaby Pinheiro, presidente do Grupo de Mídia do Rio de Janeiro.

Mais do que novas habilidades para navegar no cenário volátil, incerto, complexo e ambíguo desses novos tempos, ficou claro que o profissional de mídia continua precisando gostar e entender de pessoas. A mídia é mais analítica e menos operacional. Ou seja: sobre mais tempo para pensar e extrair inteligência dos dados.
“O maior desafio da humanidade, para tudo, é ter uma lente diferente para a vida. Mudar o mindset. Reaprender”, disse Fátima Rendeiro, head da In Loco University e ex-diretora nacional de mídia da Propeg.

Segundo o psicólogo, historiador e sócio da Binder, Flavio Cordeiro, o profissional do futuro deve viver em estado de “upgrade permanente” – conceito que o consultor Kevin Kelly, autor do livro, entre outros, definiu como “becoming“.

A quarta revolução industrial
Vivemos a quarta revolução industrial e, até 2020, 35% das habilidades mais demandadas para a maioria das ocupações deve mudar. Depois de uma ampla consulta, o World Economic Forum lançou um ranking com as 10 habilidades consideradas essenciais e que garantirão sobrevivência no mercado de trabalho daqui para frente. Anote: Resolução de problemas complexos, Pensamento crítico, Criatividade, Gestão de pessoas, Coordenação com os outros, Inteligência emocional, Julgamento e tomada de decisões, Orientação de serviço, Negociação e Flexibilidade cognitiva.