Profissionais debatem os rumos da comunicação

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Fernando Silveira

Uma certeza existe sobre o futuro da comunicação: as pessoas querem ver e ouvir histórias bem contadas. “Estamos no meio do furacão e não dá para saber, neste momento, o que vai funcionar ou não. Deveríamos falar mais sobre conteúdo do que sobre tecnologia”, disse Cristiane Finger,  vice-presente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), no debate do MenuPoa, promovido pela Associação Comercial de Porto Alegre, que aconteceu na terça-feira (3),  em Porto Alegre.

Cristiane Finger

Fernando Silveira, presidente do Sindicato das Agências de Propaganda (Sinapro/RS), acha que o que motiva e conecta o público é o que atinge o coração. “O mundo é feito de pessoas e as pessoas querem se emocionar”, opinou Silveira.

Também participaram do bate-papo Alexandre Skowronsky, presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap/RS); Renata Schenkel, vice-presidente da Associação Riograndense de Propaganda (ARP); Moyses Costa, presidente da Associação Brasileira dos Agentes Digitais (Abradi/RS) e Fernando Carara Lemos, do Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (Conferp).

Renata Schenkel

Na opinião de Renata, o caminho da comunicação não tem uma resposta única mas um composto de diversos ativos. “Esse novo caminho passa pelo digital sendo entendido como uma plataforma e não como a única forma das pessoas se relacionarem, passa pela agilidade porque temos que tomar decisões rápidas, passa por soluções que sejam relevantes ou em ideias que solucionem problemas. Esse trilho é composto por uma série de ativos e características que os profissionais tem que ter”, disse. Neste novo contexto, a profissionalização é fundamental porque a diferença é nítida de um trabalho feito por alguém capacitado de um amador. “Nosso trabalho é contar histórias bem contadas”,  concluiu Renata.

Alexandre Skowronsky

Skowronsky acredita que três questões estão influenciando a grande transformação da comunicação: as novas tecnologias; as mudanças de comportamento, valores e hábitos das pessoas no meio das múltiplas plataformas e a nova legislação de proteção de dados que vai entrar em vigor em 2020 e vai regular de forma mais transparente o uso das informações pessoais. “Enxergo um caminho para comunicação de grandes oportunidades. A comunicação das marcas será, sem dúvida, mais personalizada, direta, relevante e mais adequada ao perfil de cada um”, disse.

Fernando Carara Lemos

Moyses enxerga três tendências que devem ser complementadas: a propriedade de conteúdo, a inteligencia artificial e o uso de dados e a criatividade. “Estamos num mundo com excesso de informações. É preciso ser criativo para impactar a audiência”, acredita.

Moyses Costa

“A forma, tanto de quem produz conteúdo tanto como quem recebe, é completamente diferente. Nós, jornalistas, passamos muito tempo falando sozinhos. As pessoas podiam até discordar mas não tinham como se manifestar. Hoje, nós, jornalistas, somos mediadores.  Em alguns momentos os receptores serão ativos em outros momentos serão passivos. É este o novo jogo que estamos aprendendo. O importante é o bom conteúdo que possa ser compartilhada, colaborativo, independente da plataforma”, disse Cristiane Finger.