Liderança feminina: ainda é diversidade?

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Lara Piccoli, Andiara Petterle e Ana Luiza Ferrão

A discussão sobre este tema foi a pauta do Janela ARP, evento promovido pela Associação Riograndense de Propaganda, que aconteceu na terça-feira (28), em Porto Alegre. Diversos insights interessantes e exemplos próprios foram contados pelas convidadas Andiara Petterle, vice-presidente de Produto e Operações do Grupo RBS, Ana Luiza Ferrão, diretora-geral da Gang, e Lara Piccoli, publicitária e sócia da agência Morya.

As três profissionais contaram suas experiências de como é ser líder mulher. O debate também contou com a participação de Liana Bazanela, presidente da ARP. O que há em comum entre elas é, em primeiro lugar, gostar muito do que fazem, ter coragem de assumirem riscos e contar com incentivo e apoio familiar, principalmente na hora de conciliar o cargo com a maternidade.

Andiara, que é mãe da Olívia, 4 anos, e da Catarina, 2 anos, foi contratada pelo Grupo RBS quando estava grávida de oito meses da sua primeira filha. A empresa aguardou o tempo de sua licença maternidade para que só então assumisse o novo cargo. Ana Luiza está grávida de seis meses de Alice e já está com a equipe organizada para substitui-la no período que estiver ausente, e Lara, que é mãe do Santiago de cinco meses, ainda não voltou ao trabalho mas conta com o apoio do marido e sócio, bem como os outros sócios-diretores da agência.

Assumir os riscos é que faz toda a diferença

“Precisamos de mais líderes mulheres porque pluralidade e equidade de gênero geram empresas mais inovadoras; gera mais riqueza para empresas e porque só se evolui com perspectivas diversas”, opinou Andiara. “Para desenvolver mais líderes mulheres para o futuro é preciso gerar mais exemplos hoje”, disse.

Andiara contou que usa uma técnica todos os dias que é perguntar a si mesma: “O que vai acontecer se eu fizer e não der certo? Se cair, do chão não passa. O ‘não’ eu já tenho então posso continuar explorando novas possibilidades”, conclui. A técnica a deixa segura para tomar riscos. “Ninguém está esperando nada de mim. Como eu não tenho uma expectativa dos outros de ter que dar certo isso me permite levar adiante, tentar. E tomar riscos é que faz toda a diferença”, revela. “Pode dar muito errado, mas é o único jeito de dar certo. Todos os líderes que eu vi darem certo são os que deram o passo maior que as pernas. Assumiram riscos”, comenta.

Para Ana Luiza, o incentivo familiar foi fundamental para superar os obstáculos. “Assumir uma empresa como a Gang foi um super desafio. Muita coisa fui aprendendo no dia a dia sempre com uma mãe do lado dizendo: tu vais conseguir”, lembra. Ana Luiza é filha da empresária Carmem Ferrão, superintendente de uma das maiores redes de varejo do Sul, a Lojas Pompéia. “O maior incentivo foi ter base”, conta Ana Luiza, que também se diz feliz e realizada no trabalho.