Gad orienta marcas em meio à pandemia de coronavírus

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Consultoria de branding e design lança documento com dez recomendações para empresas enfrentarem desafios e encontrarem oportunidades 

Num curto espaço de tempo, a pandemia de Covid-19 impôs uma transformação brusca e profunda no mundo inteiro, nas pessoas e também nos negócios. Dentro de uma perspectiva de um futuro ainda incerto e nebuloso, a consultoria de branding e design Gad resolveu prestar um serviço a fim de ajudar as marcas a entenderem o cenário atual e sugerir recomendações para melhor enfrentar tantos novos desafios e buscar oportunidades em meio à crise. Um time de especialistas da empresa estudou diversos exemplos de marcas do mercado nacional e internacional e, a partir dos aprendizados, sintetizou em um documento os dez principais insights.

“Optamos por falar de recomendações aplicáveis ao momento de hoje. Ao invés de tentar prever o futuro, analisamos o presente e damos dicas de como as marcas podem e devem agir no hoje”, diz Luciano Deos, CEO e fundador do Gad.

Para Deos, se vivemos um contexto absolutamente diferente de tudo o que já se viu, as soluções também não são óbvias.

O momento é de ser verdadeiro, de ser humano

Com as mudanças tão profundas e repentinas, ninguém vai conseguir entender o mercado no curto prazo ou mesmo entender o novo comportamento do consumidor depois do isolamento social porque é um momento absolutamente atípico e sem parâmetros anteriores. Por isso, na opinião de Luciano, não tem sentido fazer mudanças radicais. “O momento é inoportuno para isso. É preciso ter mais base, mais tempo. Ninguém sabe que mundo vai desenhar daqui para frente”, avalia. “Acreditamos que não é o momento de rever a proposta de valor da empresa, não é o momento de alardear ao mundo um novo posicionamento, muito menos de declarar um propósito só para dizer que está no jogo. Acima de tudo, é o momento de ser verdadeiro, de ser humano”, recomenta Luciano. Para o empresário, os próprios valores e crenças que devem assumir a liderança do discurso das companhias.

Nesta situação é mais importante fazer do que falar. “O fundamental é fazer. De alguma forma ou outra iremos saber já que alguém sempre fala. Sabemos que hoje não existe mais bastidores, tudo que acontece acaba se tornando público. Como sempre Natura é, de longe, o melhor exemplo”, opina.  Para não soar artificial e desconexo com a marca, a prática tem que estar alinhada com o discurso da empresa. “É preciso optar por atitudes verdadeiras e fazer por convicção. Não para ficar bem na foto”, comenta.

Segue um resumo dos dez tópicos. O documento completo pode ser acessado através do link www.gad.com.br/insights/

  1. Rápido, mas devagar: cuidado para não tentar pegar um atalho na hora de assumir um novo discurso, uma nova verdade. É bom refletir mais antes de tomar posições, especialmente aquelas que não têm a ver com seu histórico. É hora de refletir o impacto que este momento terá no seu negócio, e pensar se já é mesmo tempo de fazer alguma declaração ou se reposicionar.

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  2. Simples e verdadeiro: a importância está, acima de tudo, no fazer e no fazer simples, que passa a ser a medida e o melhor meio de transmitir a verdade do que estamos fazendo.
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  3. Todos têm valor: cada empresa deve olhar para sua cadeia de valor e reconhecer que faz parte de um sistema, um sistema que se auto-alimenta. De parceiros a concorrentes, todos são importantes, e cuidar de quem está ao seu redor também é cuidar de você.

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  4. Crenças e valores, mais do que propósito: se você ainda não tem uma reflexão madura o suficiente para declarar um propósito e sua causa, a hora é de se deixar guiar pela verdade de suas crenças e valores.

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  5. Mais do que próximo, empático: o digital se coloca como alternativa não só importante, mas crucial para a manutenção de uma certa proximidade com as pessoas. Videoconferências, e-commerce e outros artifícios vêm sendo utilizados como alternativas por muitas delas. No entanto, não são todas que têm intimidade com o meio digital, e mesmo as que já estavam lá também enfrentam dificuldades no novo cenário.

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  6. De repente, tudo é possível: Saindo de um mundo repleto de possibilidades fáceis e instantâneas, e entrando em um cenário de restrição, seja financeira ou de operação, muitas marcas e até pessoas serão obrigadas a colocar à prova sua criatividade sem deixar de trazer à tona sua essência e seu jeito de ser. Mas, de repente, começamos a nos permitir testar novas ideias, novos formatos, alguns mais simples, outros mais ousados. E, com isso, estamos descobrindo o novo. Soluções criativas e, principalmente, adequadas ao momento têm dado destaque a muitas iniciativas e, mais importante, aberto o caminho para a descoberta de novas possibilidades para marcas, negócios e pessoas.

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  7. Serviço, serviço, serviço: Se até então a mentalidade de “melhorar a experiência através da oferta de serviços” era pauta importante, porém secundária, ela assume hoje o topo da prioridade de alguns negócios. Desde o oferecimento de aulas ao invés de produtos até iniciativas como a dos bares que têm transformado seus cardápios de drinks em porções do-it-yourself para os consumidores, a ideia de transformar produtos em serviços tem se revelado a maneira mais inteligente de manter seus negócios andando e o relacionamento com o público cada vez mais próximo.

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  8. Faça, não fale: Mais do que falar ou assumir posicionamentos, algumas marcas têm trazido ações efetivas para as pessoas, seja ajudando diretamente no enfrentamento da disseminação, seja auxiliando as pessoas afetadas. E são elas que estão criando valor através de uma entrega efetiva para as pessoas e para a sociedade. O que estamos dizendo é que é hora de ENTREGAR primeiro, antes de capitalizar suas ações neste período.

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  9. Necessidade, não desejo É hora de você entender o papel mais primordial da sua marca na vida do seu consumidor – e talvez, neste momento, você irá ter descobertas transformadoras sobre o papel da sua marca.

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  10. Menos, só o relevante insights: Ninguém tem a resposta certa para o momento e, se queremos ser percebidos, a hora é de fazer silêncio, de sermos objetivos. Já falamos sobre a necessidade das marcas se resguardarem e pensarem um pouco mais “devagar” antes de assumir qualquer posição ou declarar qualquer propósito neste cenário. Mas a objetividade das mensagens e o “fazer silêncio” foram além disso em algumas posturas inéditas e louváveis de algumas marcas. Em um cenário onde o que impera é a necessidade, não o desejo – como também já discutimos –, algumas marcas entenderam que agregariam mais tirando suas campanhas do ar ou substituindo-as por mensagens informativas em prevenção à Covid-19. Assim, elas mereceram destaque de nosso último tópico ao inaugurarem um novo jeito de se conectar mais: falando menos.

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