A pandemia mudou tudo

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Reinventar-se. É a palavra de ordem nesta quarentena. Sim, o motivo do isolamento social é triste. Muitas pessoas morreram ou perderam entes queridos. Empregos foram perdidos. Investimentos promissores até há bem pouco tempo, de uma hora para outra, viraram elefantes brancos, um pesadelo de prejuízos. Os maiores têm um certo fôlego para enfrentar a crise econômica, mas pequenos negócios e profissionais autônomos não têm tempo para ficar parados. Há gente fazendo o que é possível. Casa de eventos que passou a vender pizzas, fábrica de embalagens para festas que passou a produzir frascos para álcool gel, indústria que se adaptou para produzir respiradores, empreendedor que passou a fazer máscara e por aí vai.

É difícil buscar pontos positivos no meio da crise do coronavírus. Ainda assim, é necessário deixar de lado o que se fazia antes para fazer algo útil para o momento, resgatando o essencial e buscando o que realmente importa. Se existe um momento para repensar o que queremos ser, o momento é agora.

Nesse contexto, foi na quarentena que dei início a um novo projeto que já tinha em mente desde antes do surgimento do coronavírus. Aventurei a entrar no mundo das lives e comecei o programa Press Saúde, na Rádio Press. Uma série com oito episódios trazendo informações, experiências e dicas relevantes sobre saúde, prevenção, qualidade de vida e bem-estar voltado ao público leigo, através de um bate papo informal com renomados médicos e profissionais da área.

O primeiro episódio sobre imunidade, com o reumatologista Dr. Carlos von Mühlen, que falou diretamente de San Diego, nos Estados Unidos, pode-se dizer que foi um sucesso. Foram mais de 1700 espectadores, ao vivo. E qual é o sentido disso? Basicamente dois. Trazer informações pertinentes ao momento de uma maneira leve e, ao mesmo tempo, valorizar os profissionais da saúde que estão na linha de frente na pandemia.

O jornalismo já vem num processo de profundas transformações. Depois de 25 anos trabalhando na mídia impressa, migrar para o digital é uma mudança bem considerável para jornalistas que se formaram redigindo em máquinas de escrever, assim como eu. Claro, o que importa é o conteúdo, sempre, independente da tecnologia de transmissão da mensagem. Mas que muda a forma, muda.

Não é fácil inovar quando parece que tudo já foi feito por alguém. Assisti a um vídeo compartilhado por WhatsApp que me chamou atenção. Dizia que mesmo que alguém já tenha feito algo antes, cada um tem um jeito próprio de abordar o assunto, e somente isso já torna diferente essa jornada.  A mesma receita e os mesmos ingredientes vão resultar em pratos e sabores distintos se forem realizados por pessoas diferentes.

Importante é tentar. Como diz a frase atribuída a São Francisco de Assis: “Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.”

Basta coragem para mudar e uma dose de ousadia para inovar. Sempre é tempo! E se não der, está tudo bem. Reinvente-se outra vez.

Ana Paula Jung, jornalista
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