A trincheira e a cova

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O assunto está mais para 100 metros rasos do que maratona. Não há tempo a perder frente à necessidade de rever estratégias impactadas por fatos novos do passado e do presente do nosso Sindicato dos Jornalistas do RS. É a base para  promover amplos entendimentos rumo às soluções imprescindíveis que assegurem algum futuro no futuro. Consertar e concertar.

Ouvi do ex-presidente do Sindjor e da Fenaj, Celso Schröder, ser este um momento de “cavar trincheiras para resistir”. Completei, de imediato, sobre a responsabilidade solidária dos jornalistas para impedir que elas virem covas do sindicalismo.

Aliás, o exposto nos dois parágrafos acima vale para a categoria dos Jornalistas e todas as outras imprensadas por um novo regramento jurídico sufocante que atenta contra a organização sindical, direito essencial dos trabalhadores. Resistir é preciso, eis que não há furacão, tsunami ou erupção vulcânica que sejam eternos.

Sou otimista. Vinculei-me ao Sindjor e à Associação Riograndense de Imprensa (ARI) ainda estudante, lá bem no início da década de 70. Lembra o ensinamento bíblico sobre o graveto que pode ser quebrado facilmente, enquanto com um monte de gravetos unidos a coisa é diferente? É por aí. Então, acredito que está dando tiro no pé quem não se aproxima das suas instituições profissionais porque acha que se garante sozinho/a. Até pode, mas a que custo?

O otimismo realista que assumo é alavancado por momentos como o que aconteceu na ARI na manhã de 9 de outubro. Era uma terça-feira e sete dos nove presidentes vivos do Sindjor reuniram-se na sala da Diretoria, espaço que homenageia Antônio Firmo de Oliveira Gonzalez. Antoninho presidiu – e bem – o Sindjor e a ARI, foi diretor da Famecos/PUC, editor na Folha da Tarde, avalista da Cooperativa dos Jornalistas (Coojornal), juiz classista e muito mais.

Estavam lá, sob o seu olhar vigilante fluindo da foto encarapitada sobre o marco da porta, os ex-presidentes do Sindjor (em ordem alfabética) Antonio Oliveira, Celso Schröder, João Souza, Jorge Correa, José Nunes, Lucídio Castelo Branco e Vera Spolidoro. E mais o presidente atual, Milton Simas, com o diretor tesoureiro Robinson Strasulas e André Pereira. Não puderam comparecer: José Carlos Torves, que estava em Brasília, e Renato Dorneles.

Representei a ARI como entidade anfitriã que cedeu a sala para o encontro de responsabilidade do Sindjor e do Comitê de Finanças (Márcia Camarano, Árfio Mazzei e eu mesmo) indicado em assembleia geral do Sindicato realizada no Sindapi em 16 de setembro.

O que aconteceu naquelas duas horas e meia? Afora divergências sobre encaminhamentos possíveis – algumas pontuais, outras essenciais -, reconheceu-se o trabalho dedicado de todos os ex-presidentes, falecidos ou vivos, presentes ou ausentes.  Lucídio Castelo Branco, 92 anos, trouxe a memória mais antiga das lutas passadas, inteirou-se sobre os novos desafios internos e externos do Sindjor. Irradiava confiança e energia.

Houve unanimidade sobre ser este um momento de união entre os jornalistas sindicalizados, de reaproximação com os que se afastaram, de busca dos que ainda não chegaram. Destacamos a importância de obter apoio dos já aposentados e dos estudantes de Jornalismo e de seus professores. Ficou claro que os novos tempos exigem impactantes ações administrativas por parte da atual gestão do Sindicato.

Consertar e concertar. É uma boa síntese do desafio que está posto. Se você é jornalista, participe.